domingo, 30 de setembro de 2012

jurupari

DEUSA CEUCI
E JURUPARI
Ceuci é a "Virgem Maria" da teogonia Tupi, pois também ela teve um filho de uma concepção miraculosa.

Segundo a lenda, Ceuci descansava à sombra da árvore do bem e do mal, quando avistou seus frutos grandes e maduros. Não resistindo, apanhou e comeu uma de suas frutas e o seu caldo escorrendo pelo seu corpo nu alcançou o meio de suas coxas.

Meses após, revelou-se uma gravidez que encheu de indignação toda a comunidade indígena, O Conselho de Velhos, achou por bem, puni-la com o desterro.

Ceuci teve seu filho muito longe da aldeia de deu-lhe o nome de Jurupari, futuro legislador, que veio mandado pelo sol para reformar os costumes da terra e também encontrar nela uma mulher perfeita com quem o sol pudesse casar.

Quando nasceu Jurupari, nasceu também o silêncio, o quiriri sombrio e religioso das florestas e dos lagos amazônicos.

Já ao sair do ventre de sua mãe, falou-lhe:

-"Não tenha receio mãe: eu venho de Tupã, que é meu pai, com a missão de reformar os costumes de teus irmãos. Venho trazer a lei do patriarcado e o instituto do segredo, que ainda não existe nas tabas: foi adequado, por isso mesmo, o nome que me deste, Jurupari. Boca fechada, sigilo!".

Ao sete dias de nascido, Jurupari era um rapaz que aparentava dez anos e foi rapidamente correndo a fama de sua sabedoria. Em seguida, o lugar em que morava com Ceuci, foi povoada pelos romeiros que ali iam aprender não só a lei de Jurupari como as regras preliminares da agricultura.

À medida que o menino cresceu foi fatalmente, afastando-se da mãe e muito jovem já era considerado o "Moisés" dos tupis.
Para que os homens aprendessem a viver independentes das mulheres, Jurupari instituiu grandes festas que só eles podiam tomar parte.

Ceuci inconformada com tais leis e saudosa do filho, resolveu, certa noite, dar uma espiadinha no cerimonial dos homens. Furtivamente, então, transpôs o patamar da entrada da "Casa dos Homens". Essa infração era punida com pena de morte, mas antes do término do cerimonial, Ceuci foi fulminada por um raio. Jurupari foi imediatamente chamado para ressuscitar a mãe, mas nada fez, pois não podia abrir precedentes em suas leis.

“Morreste mãe, porque desobedeceste à lei de Tupã. É a lei que eu vivo a ensinar. Não vou te ressuscitar, mas te recomendo: sobe, bela, radiante e pura para um mundo melhor. Cumpriste a verdadeira missão de mãe, que sempre é cheia de amor, renúncia, desenganos e sofrimento. Meu pai vai recebê-la de braços abertos lá no céu”.

O corpo da Deusa reanimado e iluminando-se de uma fulguração estranha subiu ao céu, sentado na volta de sete cores de luaca-mirapara (arco-íris), dando beijos de luz e vida aos que ficaram em baixo, na alegria ingênua das tabas.

Ceuci transformou-se na estrela mais resplandecente da constelação das Plêiades ( constelação que indica a época certa da colheita das frutas maduras, da caça e da pesca) e hoje domina, no caá.

Ali está, para lembrar aos selvagens o respeito às leis de Jurupari, o Filho do Sol.

Na Amazônia existe também, o Ceuci-cipó. Desse cipó os tupinambás fabricavam o anamã, uma bebida que diziam ter o dom de purificar: bebiam-na antes de soprar as caçiúbas de Jurupari. Essa bebida era vomitório com que limpavam o estômago.

Quando Ceuci ascendia ao iuaca, o primitivo espírito, que sempre a seguia, não podendo acompanhá-la ao céu, transformou-se em uma coruja, cujo canto onomatopéico, diz claramente Ceuci, nome porque é conhecida na Amazônia.

Há também uma tartaruguinha de cauda comprida chamada Ceuci, a qual dizem ser hermafrodita.

Ceuci, mãe do "Moisés" dos tupis, dos caraíbas, guaranis e anamãs, é uma Deusa morta, pois nunca mais veio à Terra, mas goza de grande prestígio na mitologia da América do Sul.

É ela quem, no iuaca, distribui a sorte às tainatás, enlevo dos lares da floresta.

Os mitos da procriação, do nascimento e da vida de grandes figuras da história refletem o que há de extraordinário nestas crianças divinas e além disso, nos falam da correspondência destas conexões que se dão tanto com a ordem cósmica como com a alma humana.

As relações "homem-Deus" e "homem-mulher" são os temas do ser humano desde que ele existe , justamente por que nestas ligações entrelaçam-se decisões de vida ou morte. De todas as ligações a de mãe-filho é a mais estreita, é algo transcendente, que une duas pessoas em um segredo fascinante, que dá prazer e dor, mas que no fundo é sempre indecifrável. Assim, não é de se estranhar que no primórdios dos tempos se acreditasse que a maternidade não dependia do homem, mas sim da influência ou interferência dos astros, animais e até do sumo de alguns frutos, como é o caso de nossa lenda.
No início da humanidade, reinava o matriarcado e toda a linha de descendência era regida pelo sistema matrilinear. Entre os nossos indígenas, também foi assim. Toda a criança que nascia, pertencia ao grupo familiar da mulher. A posição do pai era de um simples amigo, portanto não tinha direitos sobre o filho. Toda a educação e tutela da criança ficava ao encargo do tio materno.

Tal estado das coisas acabou por gerar choques e tensões sociais e o homem sentindo-se mais forte, tratou de dominar a situação e inverter os papéis. Esta mudança em alguns casos foi extremamente dramática, pois em algumas tribos, o homem figurava como uma espécie de escravo da mulher, executando os serviços mais baixos e sem que os filhos o considerassem pais. O mito do Jurupari, juntamente com a existência das Icamiabas, nos deixa bem claro, que as mulheres foram destituídas de todo o poder, nada restando-lhes, nem mesmo era reconhecida a maternidade. Como o desmoronamento do direito materno, o homem apoderou-se também da direção da casa, a mulher viu-se então degradada, convertida em servidora, em escrava da luxúria do homem, ou simples instrumento de reprodução.

É óbvio que as mulheres não poderiam concordar com tal estado das coisas. E muitas são as lendas em que as mulheres matam os homens, seus maridos, os velhos e as crianças do sexo masculino, antes de abandonarem suas aldeias.

QUEM É JURUPARI?Jurupari ou Izí é um Grande Espírito, que servia de guia e protegia os índios, particularmente aos homens. As leis do Jurupari, que significa "boca fechada" (iurú= boca e pari=tapume), impunham silêncio total sobre todos os segredos do oculto. O pai deveria matar o filho, se este descobrisse qualquer segredo das festas sagradas antes de iniciado, tão rígidas eram tais regras.

Nas cerimônias de iniciação, destaca-se os seguintes versos, ilustrando o conceito de "boca fechada":

"Sol, faz valentes seus corações!
Lua adoça suas falas!
Ceuci ensina-os a fugir
De um dia tudo contar!"

A cantiga pede pois, que mantenham suas bocas fechadas, de acordo com as leis e não esquece de invocar a proteção das Sete Estrelas ou Ceuci, a mãe do Jurupari, que correspondem ao aglomerado estelar aberto das Plêiades, na constelação do Touro, próximo às "Três Marias", o cinturão da constelação do Órion. Este grupo é visível alto no céu pela madrugada no inverno e primavera e verão no meio da noite. É também pedido a proteção da Lua para "adoçar suas falas", isto é, impedi-los de contar os segredos às mulheres.

O Jurupari foi portanto, o responsável pela instituição da "Casa dos Homens" e também pelo invento dos instrumentos sagrados, máscaras e das festividades exclusivamente masculinas, o que servia para manter o caráter de dominação patriarcal no seio das tribos.


A Deusa Ceuci e Jurupari chegam até nós para curar os conflitos entre homens e mulheres. Ceuci é a Deusa-Mãe Divina e Jurupari a Criança Solar que recebeu sua energia amorosa. Sem a mãe, não existiria o filho, sem o filho não existiria a mãe e, sem os dois, não poderíamos viver a dimensão da vida.

Nossas vidas sempre continuarão sendo um grande mistério, onde a razão só quer saber das causas e conseqüências e, com certeza, jamais admitirá ou acreditará no nascimento proveniente de uma mulher virgem. Entretanto, toda a mulher que encontra-se conectada com a Grande Mãe, sabe que não depende nem do pai, nem da mãe quando se forma a vida, mas isso cabe a um poder superior, ao poder da própria vida.

Ceuci vem dizer ainda, que é urgente o aprofundamento das mulheres dentro de si mesmas, para que se realizem os valores básicos femininos que o mundo patriarcal negou e que a mulher também alienou de si mesma, perdendo a sua linguagem própria de signos e símbolos em busca do reconhecimento.O mundo hoje já não impede o desenvolvimento da mulher, mas ela ainda se encontra muito confusa em relação a própria identidade e do seu verdadeiro papel na vida. Se sente presa e vacilante aos preconceitos que a marcaram como sexo frágil, incapaz e inferior. Sua liberdade dependerá de um grande esforço, pois lhe exigirá uma fidelidade consigo mesma e o abandono de desculpas que ocasionem entraves para o seu crescimento. Não podemos nos esquecer, que estes antigos valores ainda estão no inconsciente dos homens, entretanto, o terreno é fértil para o despertar de uma nova consciência!

CONECTANDO-SE COM CEUCI
Se você puder realizar este ritual ao ar livre, tanto melhor. Caso more em um apartamento, posicione sua mesa perto de uma janela onde possa ver a Lua e as estrelas.
Primeiro você deve estender uma toalha azul no chão e desenhar ou colar 7 estrelas nela. Acenda três velas cor de prata em triângulo, um incenso de eucalipto e encha uma taça com vinho tinto.

Passe a fumaça do incenso de eucalipto em torno de você, mentalizando a energia da cura. Depois respingue um pouco do vinho sobre seu rosto e entre em estado de receptividade com as energias de Ceuci, dizendo:

Deusa das Sete Estrelas,
Encontro-me aqui para te encontrar,
E para pedir para tudo mudar,
Assim, como para meus ancestrais-índios fostes estrela guia,
Seja minha companheira,
Guia-me nos caminhos da vida e da luz,
Pois és Mãe Cósmica que reluz!
Atenda meus pedidos e se faça presente.

Feche os olhos e respire e inspire profundamente por três vezes. Depois visualize a luz brilhante das estrelas e tente localizar as Plêiades e chame por Ceuci. A luz tomará aos poucos a forma de uma mulher, que muito devagar descerá até seu jardim iluminando-o com uma forte luz prateada. Em uma de suas mãos terá um fruto vermelho que oferecerá a você. Tome-o e agradeça! Neste mesmo instante pegue sua taça de vinho, beba você o primeiro gole e depois levante a taça em direção à ela, brindando este encontro mágico.

Sinta então as estrelas derramarem sobre você toda a sua luz e deixe que esta energia percorra todos os seus corpos: físico, mental e espiritual. Aqueça-se nesta luz e deixa que ela preencha todos os vazios de seu ser.

Sinta-se então livre, plena e feliz
Peça a Deusa das Plêiades que abençoe a nossa Terra e nos faça todos irmãos.
Agradeça os momentos maravilhosos que lhe foram permitidos estar com ela.
Apague as velas e encerre o ritual.


Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto


Bibliografia:

Lendas Brasileiras - Afonso Schmidt; Livraria Pluma; Porto Alegre; RS
As Amazonas - Fernando G. Sampaio; Editora e Distribuidora de Livros Ltda; SP

IN: http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusaceuci.html



brasilidade

DEUSAS BRASILEIRAS



Mães d'água, feiticeiras da Lua, guerreiras das matas, as deusas brasileiras protagonizam histórias fascinantes da mitologia indígena. "Algumas foram mulheres de carne osso, outras são espíritos da floresta", diz Zoe de Camaris, autora do livro "Cy, A Deusa do Brasil" (por sinal um ótimo livro), que traz as mulheres sagradas em diversas culturas indíginas. As Deusas brasileiras estão ligadas a natureza e simbolizam sedução, fertilidade e abundância. "Nas tribos, a presença delas é invocada durante fesras e cerimônias de cura", diz o índio tapuia Kaká Werá Jecupé, coordenador do Instituto Arapoty, um centro de presevação da cultura indígina em são Paulo. Mas as dinvidades também se manifestam espontaneamente.


"Para os tupis-guaranis, Nandercy é a Mãe Suprema. Ela aparece em sonhos, como uma Serpente, e ensina os segredos medicinais das plantas", diz Kaká.

Não é possivél relacionar essass figuras femininas ás santas católias nem ás deusas gregas, já que os índios vivenciam o sagrado de maneira particular (embora há semelhança). "Para eles Deus não está no ceú, mas integrado a todas as coisas. essas deusas são 'mulheres-natureza', que convivem com oser humano, assim como as plantas e os animais." diz Zoe. Para invocar a influência de uma dessas deusas, basta entrar no reino delas - natureza -, como ensina Kaká: 'Diante de um pôr-do-sol, de um cachoeira, você pode fazer um pedido, de coração puro". Também vale fazer uma oferenda ou ter por perto um elemento ou amuleto ligado à dinvidade em questão. Logo abaixo vou citar algumas dessas deusas brasileiras ou seres venerados como tal, lá vai:

A Feiticeira da Lua






Mara, Mulher da Magia, Desperta o poder de persuasão e a capacidade de alterar o rumo dos acontecimentos.
Segundo o folclore, Mara foi uma menina raquítica, criada por um pajé, e adquiriu poderes maiores doque os dele.Ela representa a bruxa nativa, conhecedora de ervas e dos feitiços. Do seu corpo, depois de morta enterrada nasceram plantas venenosas que as feiticeiras indígenas utiliza, até hoje.
Em Trevas: Foi uma feiticeira de Arkanun que acidentalmente veio para na Terra, seria uma das filhas de Cy, foi auxiliada por um xamã indígena, logo todo a aldeia a reverenciava, e depois as aldeias ao redor, logo uma ordem foi criada, a Ordem das Feiticeiras da Lua, que continua ativa até hoje.
Caminhos: Terra e Ar.
Cores: Preto e Branco.
Simbolos: Coruja e Aranha.
Talismã: Uma pena negra usada como brinco ou colar.

A Grande Mãe


Sábia e Poderosa, Cy é a Mãe Suprema
. entar em contato com essa deusa é estimular a fmilinidade e a fertilidade.
O nome Cy, do tupi-guarani, significa mãe. Para os índios, ela é a doadora da vida, criadora de todas as coisas. Seu nome está presente em outas deusas: Ñandercy, a Nossa Mãe; Coaracy, a Mãe do Sol; acy, a Mãe da Lua.
Em Trevas: Juntamente com Tupan, é um entidade de Arkanun, e foi um dos primeiros seres sobrenaturais a pisar no Brasil. É uma deusa de muitas faces, e muito cultuada. Sua ordem, a Ordem da Grande Mãe, possuia muitas adeptas no passado, e embora o panteão indígena tem enfraquecido, nas tribos que ainda mantem a tradição, a crença na Deusa é forte.
Caminhos: Terra e Agua.
Cores: Marron e Branco.
Simbolos: Ovo e Tartaruga.
Talismã: Ovo de Cristal.

A Senhora da Fartura


Se um trabalho não dá frutos, é o momento de invocar Mani, Doadora do alimento e da fartura, que tem o poder de devolver a abundância.
Certa vez, a filha do um poderoso índio de um povo de língua aruak, do Xingu, foi expulso e sua aldeia por ter engravidado misteriosamente. Por causar da ira do pai, ela deu à luz a uma menina albina, chamada Mani. A menina andou e falou precocemente, também morreu cedo. A mãe chorou por muitos dias sobre a sepultura e passou a regá-la diariamente, segundo o costume indígena. Da cova de Mani brotou uma planta desconhecida, de raízes grossas, que, descascadas, eram brancas como o corpo da pequena nativa. Os índios passaram a cultva essa planta, que batizaram de mandioca - palavra que significa "corpo de mani".
Em Trevas: O pai de Mani seria uma entidade do Eden, que até agora não se sabe a origem. O fruto dessa união seria a pequena Mani, um ser pacifico mais de imenso poder. Em algumas tribos ela ainda é adorada com algum fervor.

Mães D'ÁguaBelas e sensuais, as sereias ativam a intuição, a sensibilidade e a sedução.


YaraDiz a lenda que Yara uma índia muito bonita, mas indiferente aos apelos do sexo oposto. Por isso, foi violentada e atirada no rio. O espírito da aguas a transformou em um ser duplo -metade mulher, metade peixe. Ela é uma sereia de agua doce, de cabelos verdes ou louros, que carrega os moços para o fundo dos rios.
Em Trevas: Na verdade Yara, assim como as outras sereis que existem no Brasil vieram de Árcadia, Yara foi a primeira, a cruzar os portais e vim para essas terras.Além de ser a mais velha, é a mais poderosa das sereis no Brasil.

CotalunaSereia do Rio Grand do Norte, Cotaluna tem o colo branco e farto. No inverno, ela fica feroz e arrasta todos os rapazes que cruzam seu caminho para fundo dos rios, sem se mostrar da cintura para baixo. Os moços nunca retornam. No verão, porém, ela fica calma, voltaa ser mulher como outras e escolhe seu homem com capricho, vivendo com ele uma festa sexual. Depois ele o libera, mas a experiência é tão arrebatadora que o moço volta com saúde abalada. Caso se recupera, naõ se lembra do ocorrido -guarda apenas a lembraça de ter vivido algo delicioso.
Caminhos: Água.
Cores: Azul e branco.
Simbolos: sereia, pedra de rio, vitória-régia.
Talismã: qualquer joia de prata em forma de espiral.

guaracy

Infelizmente, muito pouco se sabe a respeito das divindades e dos mitos tupi-guarani. A cristianização forçada e a proibição pelos jesuítas de qualquer manifestação pagã, destruiu ou deturpou os vestígios de Tuyabaé-cuáa, a antiga tradição indígena, a sabedoria dos velhos payés.

Segundo o escritor umbandista W.W. da Matta e Silva e seus discípulos Rivas Neto e Itaoman, a raça vermelha original tinha alcançado, em uma determinada época distante, um altíssimo patamar evolutivo, expresso em um elaborado sistema religioso e filosófico, preservado na língua-raiz chamada Abanheengá, da qual surgiu Nheengatu, a “lingua boa”, origem dos vocábulos sagrados dos dialetos indígenas.

Com o passar do tempo, a raça vermelha entrou em decadência e, após várias cisões, seus remanescentes se dispersaram em diversas direções. Deles se originaram os tupi-nambá e os tupi-guarani, que se estabeleceram em vários locais na América do Sul.

As concepções do tronco tupi eram monoteístas, postulando a existência de uma divindade suprema, um divino poder criador (às vezes chamado de Tupã) que se manifestava por intermédio de Guaracy (o Sol) e Yacy (a Lua) que, juntos, geraram Rudá (o amor) e, por extensão, a humanidade. O culto a Guaracy era reservado aos homens, que usavam os tembetá, amuletos labiais em forma de T, enquanto as mulheres veneravam Yacy e Muyrakitã, uma deusa das águas, e usavam os amuletos em forma de batráquios e felinos, pendurados no pescoço ou nas orelhas.

Guaracy era a manifestação visível e física do poder criador representado pelo Sol. Apesar deste astro ser considerado o princípio masculino na visão dualista atual, a análise dos vocábulos nheengatu do seu nome revela sentido diferente.


Guará significa “vivente”, e cy é “mãe”, o que formaria a “Mãe dos seres viventes”, a força vital que anima todas as criaturas da natureza, a luz que cria a vida animal e vegetal. Também em outras tradições e culturas (japonesa, nórdica, eslava, báltica, australiana e nativa americana), o Sol era considerado uma Deusa, o que nos faz deduzir que, para os tupi, a vida e a luz solar provinham de uma Mãe - Cy

- que só mais tarde foi transformada em Pai.


Yacy era a própria Mãe Natureza, seu nome sendo composto de Ya (senhora) e Cy (mãe), a senhora Mãe, fonte de tudo, manifestada nos atributos da Lua, da água, da natureza, das mulheres e das fêmeas.Cy - ou Ci - representa, portanto, a origem de todas as criaturas, animadas ou não, pois tudo o que existe foi gerado por uma mãe que cuida da sua preservação, do nascimento até a morte. Sem Cy (mãe), não há nem perdura a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador e nutridor da vida.
Na língua tupi existem váris nomes que especificam as qualidades maternas: Yacy, a Mãe Lua; Amanacy, a mãe da chuva; Aracy, a mãe do dia, a origem dos pássaros; Iracy, a mãe do mel; Yara, a mãe da água; Yacyara, a mãe do luar; Yaucacy, a mãe do céu; Acima Ci, a mãe dos peixes; Ceiuci, a mãe das estrelas; Amanayara, a senhora da chuva; Itaycy, mãe do rio da pedra, e tantas outras mães – do frio e do calor, do fogo e do ouro, do mato, do mangue e da praia, das canções e do silêncio.

As tribos indígenas conheciam e honravam todas as mães e acreditavam que elas geravam seus filhos sozinhas, sem a necessidade do elemento masculino, atribuindo-lhes a virgindade - o que também em outras culturas simbolizava sua independência e auto-suficiência. Em alguns mitos e lendas, as virgens eram fecundadas por energias numinosas em forma de animais (serpente, pássaro, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios), seres ancestrais ou divindades.

A explicação da omissão, na mitologia indígena, do elemento masculino na criação era o desconhecimento do papel do homem na geração da criança, além do profundo respeito e reverência pelo sangue menstrual que, ao cessar “milagrosamente”, se transformava em um filho. Somente pela interferência dos colonizadores europeus e pela maciça catequese jesuíta que, na criação do homem, o Pai assumiu um papel preponderante, o Filho tornou-se o segundo na hierarquia, salvador da humanidade - como Jurupary, e à Mãe coube apenas a condição de virgem (como Chiucy).

Porém, apesar do zelo dos missionários para erradicar os vestígios dos cultos nativos da cultura indígena e dos escravos, muitas de suas tradições sobrevivem nas lendas, nos costumes folclóricos, nas práticas da pajelança e encantaria que estão ressurgindo, cada vez mais atuantes, saindo do seu ostracismo secular.

Um outro arquétipo da Mãe Ancestral é descrito no mito amazônico da Boiúna, a Cobra Grande, dona das águas dos rios e dos mistérios da noite. Apresentada como um monstro terrível que vive escondido nas águas escuras do fundo do rio e ataca as embarcações e pescadores, a Boiúna ou Cobra Maria é, na verdade, a Face Escura da Deusa, a Mãe Terrível, a Ceifadora, que tanto gera a vida no lodo como traz a morte, no eterno ciclo da criação, destruição, decomposição e transformação.

Outro aspecto da Mãe Escura é Caamanha, a “Mãe do Mato”, que protege as florestas e os animais silvestres, e pune, portanto, os desmatamentos, as queimadas e a violência contra a Natureza. Pouco conhecida, ela foi transformada em dois personagens lendários: Curupira e Caapora. Descritos como seres fantasmagóricos, peludos, com os pés voltados para trás, às vezes com um aspecto feminino, são os guardiões das florestas, que levavam os caçadores e invasores do seu habitat a se perderem nas matas, punindo-os com chicotadas, pesadelos ou até mesmo a morte.

Nas lendas guarani relata-se a aparição da “Mãe do Ouro”, que surge como uma bola de fogo ou manifesta-se nos trovões, raios e ventos, mostrando a direção da mudança do tempo. Em sua representação antropomórfica, ela torna-se uma linda mulher que reside em uma gruta no rio, rodeada pelos peixes e de onde se estende nos ares como raios luminosos, ou então surge na forma de uma serpente de fogo, punindo os destruidores das pradarias. Em sua versão original, ela era considerada a guardiã das minas de ouro, que seduzia os homens com seu brilho luminoso, afastando-os das jazidas. Seu mito confunde-se com o do Boitatá, uma serpente de contornos fluídicos, plasmada em luz com dois imensos olhos, guardando tesouros escondidos, reminiscência dos aspectos punitivos da Mãe Natureza, defendendo e protegendo suas riquezas. A deturpação cristã do mito punitivo pode ser vista na figura da “Mula sem Cabeça”, metamorfose da concubina de padre, que assombra os viajantes nas noites de sexta-feira (dia dedicado, nas culturas pagãs, às deusas do amor, como Astarte, Afrodite, Vênus, Freyja) e do Teiniágua, lagarto encantado que se transforma em uma linda moça para seduzir os homens, desviando-os dos seus objetivos.

Quanto ao significado esotérico de Muyrakitã, devemos decompor seu nome em vocábulos para compreender sua simbologia feminina: Mura - mar, água; Yara - Senhora, Deusa; Kitã - flor. Podemos então interpretá-lo como “A Deusa que floriu das águas” ou “A Senhora que nasceu do mar”. Esta divindade aquática, considerada a filha de Yacy, era reverenciada pelas mulheres que usavam amuletos mágicos chamados ita-obymbaé, confeccionados com argila verde, colhida nas noites de Lua Cheia no fundo do lago sagrado Yacy-Uaruá (“Espelho da Lua”), morada de Muyrakitã. Esses preciosos amuletos só podiam ser preparados pelas ikanyabas ou cunhãtay, moças virgens escolhidas desde a infância como sacerdotisas do culto de Muyrakitã - vetado, portanto, aos homens. Nas noites de Lua Cheia, as cunhãtay, devidamente preparadas, esperavam que Yacy espalhasse sua luz sobre a superfície do lago e, então, mergulhavam à procura da argila verde. A preparação das virgens incluía jejum, cânticos e sons especiais (para invocar os poderes magnéticos da Lua), além da mastigação de folhas de jurema, uma árvore sagrada que contém um tipo de narcótico que facilitava as visões. Enquanto as cunhãs mergulhavam, as outras mulheres ficavam nas margens do lago entoando cânticos rítmicos ao som dos mbaracás (chocalhos). Depois de “recebida” a argila das mãos da própria Muyrakitã, ela era modelada em discos com formato de animais, sendo deixado um pequeno orifício no centro. Em seguida, todas as mulheres realizavam encantamentos mágicos, invocando as bênçãos de Muyrakitã e Yacy sobre os amuletos, até que Guaracy, o Sol, nascia, solidificando a argila com seus raios.

Esses amuletos, que ficaram conhecidos com o nome de muiraquitã, tinham cor verde, azul ou cor de azeitona e eram usados no pescoço ou na orelha esquerda das mulheres. Acreditava-se que eles conferiam proteção material e espiritual e que podiam ser utilizados para prever o futuro, nas noites de Lua Cheia, depois de submersos na água do mesmo lago e colocados na testa das cunhãs, invocando-se as bênçãos de Yacy e Muyrakitã.

No nível exotérico, profano, o muiraquitã é conhecido como um talismã zoomorfo, geralmente em forma de sapo, peixe, serpente, tartaruga ou de felinos, talhado em pedra (nefrita, esteatita, jadeíta ou quartzito), bem polido, ao qual se atribuíam poderes mágicos e curativos. Foram encontrados vários deles na área do baixo Amazonas, entre as bacias dos rios Trombetas e Tapajós, sendo chamados de “pedras verdes das Amazonas”. Poderia ser uma confirmação do mito das Amazonas ou Ycamiabas, as “mulheres sem homens”, como foram chamadas pelo padre Carvajal, da expedição de Francisco de Orellana, em 1542. Os relatos míticos as descrevem como mulheres altas, belas, fortes e destemidas, longos cabelos negros, trançados, tez clara, que andavam despidas e utilizavam com maestria o arco e a flecha para guerrear e caçar. Diz a lenda que elas escolhiam anualmente homens para serem os pais de seus filhos, presenteando-os com muiraquitãs. Outras fontes afirmam que elas usavam ornamentos de pedras verdes esculpidos em forma de animais como objetos de troca com visitantes ou tribos vizinhas.

Os missionários atribuíam aos índios tapajós a origem dos muiraquitãs, mas eles eram apenas seus portadores, não os fabricantes, exibindo-os como símbolos de poder ou riqueza, ou ainda como compensação na realização de ritos fúnebres, nas cerimônias de casamento ou para selar alianças e acordos de paz entre as tribos.
Ocultos em mitos, lendas e crenças, existem ainda muitos resquícios das antigas tradições e cultos indígenas

deusa cy

A GRANDE MÃE

Sábia e Poderosa, Cy é a Mãe Suprema. entrar em contacto com a Deusa Cy é estimular a feminilidade e a fertilidade.
O nome Cy, do tupi-guarani, significa mãe. Para os índios, ela é a Doadora da Vida, Criadora de todas as coisas. Seu nome está presente em outras Deusas: Nandercy, a Nossa Mãe; Coaracy, a Mãe do Sol; Acy, a Mãe da Lua.



Em Trevas:


Juntamente com Tupan, é um entidade de Arkanun, e foi um dos primeiros seres sobrenaturais a pisar no Brasil. É uma Deusa de muitas faces, e muito cultuada . Sua ordem, a Ordem da Grande Mãe, possuía muitas adeptas no passado, e embora o panteão indígena tem enfraquecido, nas tribos que ainda mantém a tradição, a crença na Deusa é forte.

Caminhos: Terra e Agua.
Cores: Marrom e Branco.
Símbolos: Ovo e Tartaruga.
Talismã: Ovo de Cristal.

Wicca Brasil: Guia de Rituais das Deusas Brasileiras ,Mavesper Cy Ceridwen